Dos meus dias

Viver consiste em construir recordações futuras. (Ernesto Sábato)


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dos medos e (in)certezas

“Prometo falhar.”
Foi a única promessa que ele fez, toda uma filosofia em duas palavras, não acreditava na possibilidade da perfeição, nem sequer fazia o que quer que fosse para a alcançar, pois se não existe porque havia de a procurar?, e deixava-se viver pelo que tinha à frente, as opções todas, as portas todas, havia sempre uma hora ideal para a felicidade e era sempre agora, o amor só existe quando alguém desiste de ser perfeito.
“Quero tanto mas deixa lá.”
O abominável medo das pessoas, a abominável capacidade de saciar com metade aquilo que pode ser inteiro, ela tinha medo, tanto medo, medo de errar, medo de não conseguir, medo de não dar o passo certo no sentido certo, muito menos na hora certa, e quando o abraço aconteceu eram dois corpos que se juntavam, sim, mas eram muito mais dois mundos diferentes que não sabiam como se unir, o amor só existe quando dois mundos se unem sem fazerem a mínima ideia de como se hão-de unir. […]

de Pedro Chagas Feitas


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busco o melhor do melhor de mim

Há muitas pessoas que ficam incomodadas de sentirem alguém com vida, com esperança, com capacidade de enamoramento com tudo o que está ao seu lado. E, de facto, essas pessoas não descansam sem as sugar naquilo que elas têm de melhor. (…) As pessoas que nos querem sugar ajudam-nos muito. Quando nos obrigam a olhar bem para dentro de nós, e a perguntar-nos em que é que acreditamos, dão-nos a mais preciosa de todas as ajudas. (…) Nunca vencemos o mal. Vencemos, isso sim, o medo que o mal nos impõe (mesmo depois de vacilarmos). E o medo do mal vence-se por agarrarmos o melhor do melhor de nós. Essa é a magia.

Eduardo Sá in SÁ, Eduardo; STILWELL, Isabel – Os dias do avesso. Lisboa : Livros d’Hoje, 2011.

(texto completo aqui)


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da insatisfação e expectativas goradas

(…) iramo-nos com aqueles que nos são mais queridos porque nos deram menos do que esperávamos ou menos do que os outros obtiveram; para qualquer um dos casos, há um remédio. Ele deu mais a outro homem: contentemo-nos com a nossa parte, sem fazermos comparações: nunca será feliz aquele que atormenta quem é mais feliz que ele. Recebi menos do que esperava: talvez esperasse mais do que me era devido.

Séneca, in “Da ira”

(Em quatro anos já devia ter aprendido que, para ele, o que não está na agenda electrónica não existe.)