Dos meus dias

Viver consiste em construir recordações futuras. (Ernesto Sábato)


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O fim do ano lectivo aproxima-se a passos largos. Não tendo sido dos piores que já tive, o final tem sido muito, mas muito, complicado. Escrever uma tese de Doutoramento não é compatível com inovações na avaliação!!! Fica aqui o registo, para ver se não me esqueço quando em Setembro tiver de definir os métodos de avaliação das cadeiras que vou dar (todas novas para mim). Os alunos não aproveitam a oportunidade dada pela distribuição de elementos de avaliação ao longo do semestre, e muito menos reconhecem o esforço que o professor faz no sentido de os levar um pouco mais além. Tenho de me proteger um pouco mais, pois daqui por um ano é suposto estar a terminar uma tese (uma miragem, mais do que qualquer outra coisa). Por agora há que acabar com a correcção das últimas provas, tratar de milhentas tretas burocráticas e pensar na mala que daqui por uma semana tem de estar pronta.


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“Está um dia enorme de sol”

Há dias em que devia pensar menos e olhar mais para o sol. Hoje foi um deles.

Não penses. Que raio de mania essa de estares sempre a querer pensar. Pensar é trocar uma flor por um silogismo, um vivo por um morto. Pensar é não ver. Olha apenas, vê. Está um dia enorme de sol. Talvez que de noite, acabou-se, como diz o filósofo da ave de Minerva. Mas não agora. Há alegria bastante para se não pensar, que é coisa sempre triste. Olha, escuta. Nas passagens de nível, havia um aviso de «pare, escute, olhe» com vistas ao atropelo dos comboios. É o aviso que devia haver nestes dias magníficos de sol. Olha a luz. Escuta a alegria dos pássaros. Não penses, que é sacrilégio.
Vergílio Ferreira, in “Conta-corrente – nova série – 2”