Dos meus dias

Viver consiste em construir recordações futuras. (Ernesto Sábato)


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dos medos e (in)certezas

“Prometo falhar.”
Foi a única promessa que ele fez, toda uma filosofia em duas palavras, não acreditava na possibilidade da perfeição, nem sequer fazia o que quer que fosse para a alcançar, pois se não existe porque havia de a procurar?, e deixava-se viver pelo que tinha à frente, as opções todas, as portas todas, havia sempre uma hora ideal para a felicidade e era sempre agora, o amor só existe quando alguém desiste de ser perfeito.
“Quero tanto mas deixa lá.”
O abominável medo das pessoas, a abominável capacidade de saciar com metade aquilo que pode ser inteiro, ela tinha medo, tanto medo, medo de errar, medo de não conseguir, medo de não dar o passo certo no sentido certo, muito menos na hora certa, e quando o abraço aconteceu eram dois corpos que se juntavam, sim, mas eram muito mais dois mundos diferentes que não sabiam como se unir, o amor só existe quando dois mundos se unem sem fazerem a mínima ideia de como se hão-de unir. […]

de Pedro Chagas Feitas


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dias não

Sinto-me totalmente à deriva.

O tempo é implacável e a produtividade praticamente nula.

Acredito muito pouco no interesse do trabalho que tenho para fazer (isto para não dizer no trabalho propriamente dito).

Detesto quando os dias são curtos e escurece a meio da tarde.

Apetece-me mandar tudo às ortigas, mudar de rumo e começar de novo.

E na próxima encarnação quero ser burrinha, burrinha, para não pensar tanto.