Dos meus dias

Viver consiste em construir recordações futuras. (Ernesto Sábato)


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momentos de 2011

Há precisamente 4 meses. E nem o céu fechado, a chuva e o frio conseguiram estragar a magia do momento e a paz que se sente.

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o tempo voa

e já passaram dois meses desde o início da minha aventura por terras de Vera Cruz. Comecei por aquela que é, por ventura, uma das cidades mais conhecidas do mundo, mas que não é, ao contrário do que alguns possam pensar, um destino turístico de massas – o Rio de Janeiro. É certo que fui lá no inverno e muitos Europeus preferem as areias e os coqueiros do Nordeste (até porque em muitos casos é mais barato), mas creio que a questão da segurança acaba por ser um factor determinante quando se pensa em fazer turismo no Rio. No entanto, com a generalização das UPPs e a proximidade de grandes eventos, como o Campeonato do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos, a imagem da cidade está a mudar. É claro que nem tudo são rosas. A violência continua a existir e não me parece que vá ser erradicada assim às boas, mas a verdade é que não me senti particularmente insegura, até porque a presença da polícia nas ruas é bastante evidente. Naturalmente, há precauções a tomar e não dar nas vistas é um dos princípios mais básicos. Não ter grande pinta de estrangeira e ser guiada por um filho da terra permitiu-me conhecer um Rio que não está nos folhetos turísticos e não tem o glamour de Copacabana, Ipanema ou Leblon, mas que, na minha opinião, é tanto ou mais interessante. Gostava de ter tido oportunidade de percorrer mais vagarosamente as ruas da cidade e registar o que ia vendo, mas nem sempre foi possível, não só porque exibir uma máquina fotográfica não é seguro em todos os lugares (ainda que tenha arranjado uma com um ar um pouco mais de “mono” para não dar nas vistas), como não possuo o à vontade, nem tão pouco a técnica de um fotógrafo de rua*. (Aliás, técnica é coisa que não tenho de todo, pois sou uma ignorante no que respeita à arte fotográfica.) E se a isto acrescentarmos um companheiro de viagem que não entende que fotografar implica tempo e paciência e nos empurra (ou puxa) a cada minuto, então o resultado fica aquém do que gostaríamos. Ainda assim tenho muitas imagens de que gosto bastante, nem todas de grande qualidade, mas que, na minha opinião, ilustram o que é o Rio de Janeiro para além dos pontos turísticos, das praias da Zona Sul ou das desgraças que de vez em quando fazem notícia nas nossas televisões (e que, diga-se de passagem, são bem reais). Desta forma, vou respondendo ao pedido da Rosa, que, mesmo tendo algum tempo, não esqueci.

*quem sabe assim não me teriam escapado as muitas “pipas” que enfeitam os céus da cidade, empinadas não só pelos miúdos, mas também por homens de barba rija (agora que penso no assunto, não me lembro de ver raparigas envolvidas na brincadeira), o garoto que, no Centro do Rio, sentado no chão, engraxava os sapatos de um engravatado que, à porta de um prédio cheio de polícia e seguranças, conversa com outros dois iguais a ele, aparentando um absoluto desprezo por aquele que lhe prestava o serviço, ou uns miúdos, na Cidade de Deus, que, ao pôr do sol, jogavam à bola por entre os cavalos que pastavam no leito de enchente de um rio…