Dos meus dias

Viver consiste em construir recordações futuras. (Ernesto Sábato)


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ostras de sabedoria

Todos os professores, independentemente do grau ou da área de ensino, são brindados com verdadeiras “pérolas de sabedoria” por parte dos alunos e de vez em quando lá têm um que é particularmente exímio nessa arte (uma verdadeira ostra, portanto). É este o caso de uma aluna que tenho este ano. Uma moça que diz coisas de bradar aos céus, com a absoluta convicção de que está certa e que, frequentemente, não entende o alcance das afirmações que faz, mesmo depois de se lhe explicar o disparate.

Hoje, enquanto falávamos de formas de aquisição de bens (no caso livros para bibliotecas), depois de mencionadas as compras e as doações (o objectivo era fazê-los chegar às permutas), diz-me a aluna que outra maneira de se adquirir algo é “por furto”. Naquele momento fiquei tão atónita com o que tinha acabado de ouvir que me perguntei se ela conhecia o significado da palavra. (Também se podia dar o caso de estar a gozar comigo, mas, para além de não ser o género, vi que estava absolutamente convencida do que estava a dizer.) Os colegas conseguiram digerir a situação bem mais rápido do que eu e brincaram com ela. Eu, depois de tentar encaixar o que se estava a passar, e entre a vontade de rir a bandeiras despregadas ou chorar a minha sorte, acabei por fazer um intervalo e beber um chá, que dizem que cura todos os males.