Dos meus dias

Viver consiste em construir recordações futuras. (Ernesto Sábato)


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uma sala e um fumeiro

Há 2 semanas resolvi experimentar a lareira pois a comprar lenha só o faria se a coisa funcionasse convenientemente. A primeira impressão foi que a tiragem do fumo era má (muito má, para dizer a verdade), mas como não tinha lenha em condições resolvi que teria de voltar a experimentar. Lá trouxe uns paus e umas pinhas da aldeia e, tendo o cuidado de abrir um pouco da janela quando acendi o lume, percebi que o fumo só fica acumulado enquanto não há calor que o faça subir (ou seja enquanto a lenha não pega). Mas esta tarde estava na sala quando começou a cheirar a fumo intensamente e me pareceu haver fumo. Ainda pensei que fosse uma ilusão causada pelo sol que batia directamente no vidro, mas afinal era mesmo verdade. Um qualquer vizinho de cima acendeu a lareira e eu “levei” com o fumo todo. Tive mesmo de abrir um pouco da janela para arejar. Estou bem lixada! Para além de uma sala também tenho um fumeiro. Agora, ou arranjo umas chouriças para rentabilizar a coisa, ou corro o risco de ter de deixar a janela aberta enquanto estiver fora. (E a época das lareiras ainda agora começou. Raios partam!)

©Rui Pires@Olhares

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a malta da minha rua

Chegámos aquela rua quando tinha 3 anos – os meus pais, a minha irmã do meio e eu (a mais nova veio 3 anos depois) – e por lá fiquei até aos 35. Por ser um pouco afastada da zona mais urbanizada (mas suficientemente perto para se ir a pé) era quase como viver numa aldeia. Naquela época ficávamos muito na rua, que era o nosso local de brincadeiras. O trânsito não era tanto assim e as pessoas que por lá passavam regularmente já contavam com a possibilidade de haver um monte de miúdos a jogar à bola, a fazer corridas de carros de rolamentos ou simplesmente à conversa. No Verão ficávamos na rua até bastante depois do anoitecer, a jogar às escondidas entre os quintais e os pinhais que havia à volta, e na altura dos Santos Populares era lá que fazíamos as fogueiras. Com o passar dos anos a rua foi tendo cada vez mais gente e alguns “forasteiros” juntaram-se a nós. Mas depois chegou o tempo de partir. Apesar dos pais continuarem a morar ali, muitos acabaram por se mudar para outras zonas da cidade ou para outras cidades (alguns mudaram mesmo de país) e aos poucos fomo-nos perdendo de vista. Entretanto alguém resolveu que seria giro voltar a juntar a malta da rua. Depois de algumas tentativas falhadas, o ano passado fizemos um jantar que juntou alguns de nós mais ou menos da mesma idade. Mas houve quem se sentisse excluído e reclamasse, pelo que decidimos que numa próxima oportunidade iríamos alargar a iniciativa “à geração dos mais velhos” (hoje 5 ou 8 anos não é nada, mas naquele tempo era significativo). E este fim-de-semana lá nos encontrámos outra vez. Estive com pessoas que já não via há seguramente mais de 10 anos e foi giro perceber como todos guardamos a imagem de uma rua que já não existe. Infelizmente, alguns não puderam ir, mas como parece que a ideia pegou, para o ano seremos certamente mais.


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les uns et les autres

Não, não estou a referir-me ao filme de Claude Lelouch, mas sim a esta notícia. É que neste país à beira-mar plantado (ou será antes afundado) há uns que são mais do que outros. Mesmo que todos tenham o mesmo empregador (o Estado). Não é propriamente uma novidade, mas agora é demasiado escandaloso. O que é feito do esforço que TODOS temos de fazer?? Afinal, ao que parece, todos são só alguns.